
A integração entre órgãos públicos, forças policiais e setor privado é fundamental para combater o contrabando de agrotóxicos e de outros insumos agropecuários ilegais em Mato Grosso do Sul. Essa foi a mensagem reforçada pelo secretário-adjunto da Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc), Alex Melotto, durante a abertura do Seminário de Capacitação para Fiscalização Integrada de Insumos Agropecuários, realizada na segunda-feira (19), em Campo Grande.
Promovido pela Iagro (Agência Estadual de Defesa Sanitária Animal e Vegetal), em parceria com o Mapa (Ministério da Agricultura e Pecuária), a Polícia Rodoviária Federal (PRF), a CropLife Brasil, a Associação Nacional dos Distribuidores de Insumos Agrícolas e Veterinários (Andav) e o Instituto Nacional de Processamento de Embalagens Vazias (inpEV), o evento segue até o dia 23 de outubro e reúne representantes de diferentes instituições para aprimorar as estratégias de fiscalização e de enfrentamento às irregularidades no comércio e no transporte de insumos agropecuários.
O secretário-adjunto, Alex Melotto destacou que a mobilização conjunta das instituições é essencial para proteger a atividade rural, preservar os resultados dos investimentos realizados no Estado e evitar que produtos ilegais comprometam a sanidade vegetal e a sustentabilidade da produção.
“Essa é uma demonstração da nossa força, especialmente da nossa cooperação. Mato Grosso do Sul construiu uma base agropecuária importante, com investimentos e trabalho dos produtores rurais, e todo esse esforço pode ser colocado em risco pelo contrabando de insumos. Por isso, precisamos trabalhar juntos, identificar os produtos ilegais e saber como retirá-los de circulação”, afirmou.
O secretário-adjunto também chamou a atenção para os riscos que os produtos falsificados representam para a defesa fitossanitária. Como exemplo, citou a citricultura, setor em expansão no Estado, que depende do controle eficiente de pragas como o psilídeo, vetor da doença conhecida como greening.
“Se o produtor utiliza um produto falsificado acreditando que está controlando o psilídeo, mas o produto não tem eficácia, podemos comprometer todo o trabalho de prevenção ao greening. É um risco que exige atenção e uma resposta coordenada das instituições”, ressaltou.
Melotto também destacou o desafio logístico imposto pela extensa fronteira seca de Mato Grosso do Sul, com mais de 800 quilômetros, que demanda articulação permanente entre os órgãos estaduais e federais, as forças policiais e os representantes do setor produtivo.
“Precisamos unir conhecimento técnico, inteligência e capacidade operacional para enfrentar esse problema. O combate ao contrabando protege não apenas o produtor rural e a economia formal, mas também a saúde da população e o meio ambiente”, acrescentou.
Produtor rural também é vítima de produtos falsificados
O diretor-presidente da Iagro, Daniel Ingold, destacou que a fiscalização de insumos ilegais também tem como objetivo proteger o próprio produtor rural, que muitas vezes é enganado ao adquirir produtos falsificados comercializados como se fossem originais.
Segundo ele, há casos em que embalagens e documentos fiscais aparentemente regulares ocultam produtos que não contêm os ingredientes ativos declarados no rótulo. Essa situação pode comprometer o controle de pragas, gerar prejuízos econômicos e ampliar os riscos ambientais.
“O produtor também é vítima. Ele compra um produto acreditando que está adquirindo um insumo legítimo, mas, na realidade, pode estar levando para a propriedade algo que não vai resolver o problema. Nosso objetivo é trabalhar em parceria para garantir a sanidade, a segurança e a prosperidade do produtor”, afirmou Ingold.
Capacitação e fiscalização integrada
Nesta semana, os participantes estão tendo acesso a atividades teóricas e práticas voltadas ao reconhecimento de agrotóxicos ilegais, à identificação de sementes clandestinas, à análise de documentos fiscais e de transporte e à realização de exercícios de fiscalização em rodovias.
A programação também contempla desafios relacionados ao desvio de embalagens de agrotóxicos, às fraudes documentais e à fiscalização do trânsito de animais.
A expectativa é ampliar a capacidade de atuação conjunta das instituições, fortalecer a troca de informações e aprimorar os procedimentos de identificação e apreensão de produtos irregulares.
A iniciativa reforça a importância da cooperação entre o poder público e a iniciativa privada para garantir a segurança sanitária, preservar o meio ambiente, proteger os produtores rurais e assegurar condições mais justas de concorrência para quem atua legalmente na agropecuária.
Comunicação Semadesc
Foto: Divulgação/Semadesc
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